segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O PRÊMIO DA “MEGA-SENA DA VIRADA”, DE R$ 300 MILHÕES.... SERÁ QUE VALE A PENA GANHAR? Crônica, por Alex Barroso.



Crônica, por Alex Barroso, advogado.

Com a proximidade do final do ano, com tudo já feito e refeito, mais de uma vez, vem-nos aquela sensação de esperança diluída pela realidade da lógica das coisas da vida, ou mesmo com base apenas na alea, ou sorte/acaso: será que, dessa vez, eu vou acertar a “mega” da virada? Será que eu vou botar a mão nessa grana doida, violenta? Não confundir, por favor, a expressão com armas – revólveres, facas, etc., que matam e/ou deixam consequências ruins, deletérias! O sentido é, sim, figurado, pois, de violência, já estamos cheios...

Dinheiro na mão de ‘qualquer abilolado’, pode ser algo perigoso... mais adiante falarei dessa parte, meio, digamos assim, complicada, para um mundo que ‘trata bem’ quem tem posses materiais em abundância, com quantias saindo ‘pelo ladrão’... A depender das aspirações contidas e reprimidas e do sujeito envolvido, a coisa pode ser ‘lá’ ou ‘depois de lá’...

Sim, ganhar na “mega-sena” é, seguramente, e desde sempre, o sonho de muita gente, de muitos brasileiros, incluindo a mim, claro. Eu também tenho direito de me incluir nesse rol extenso. Afinal, todo mundo tem o ‘direito de ganhar’ ou, ao menos, envolver-se em expectativas para isso, desde que jogue, marque seu bilhetinho, por razões óbvias. Muitos ‘Santos’, às vezes, e com razão de sobra, fazem ‘reclamações’, do tipo: “Ah, meu filho, eu ajudo, mas.... pelo menos, marque sua aposta; só posso fazer minha parte se você fizer, antes, a sua”. Realmente!! Mais lógico, impossível!!

Às vezes, só a expectativa, em si, de receber um prêmio tão graúdo – praticamente, um terço de um BILHÃO, pode ajudar a ‘mover montanhas’, destruir obstáculos, desses que você tromba, quando quer trocar o carro popular num menos velho, e não pode, tendo que recuar.

Às vezes, alguém pode ‘bater na trave’, quando naquela situação em que o jogador crava todos os números da aposta, com exceção de apenas ‘unzim’, o que lhe impede, por óbvio, de ir à Caixa para se anunciar como ganhador, já com aquela, sim, ponta de importância e/ou arrogância que permite, digamos, engrossar o pescoço e já ir saindo dando patadas em quem estiver pela frente:

- Bom dia, Senhor!

- Bom dia!.... Mas eu desejo falar é com o gerente, cadê ele? – Sou eu mesmo, responde o funcionário graduado da Agência, já detectando, no futuro cliente, aquela pontinha de ‘trabalho’ que vai ter com o sujeito que, muitas das vezes, nunca abriu uma conta e, quando o fez, deixou as tarifas comerem o saldo, tal a ‘esbelteza’ dos recursos que ele tinha quando a abriu.

Pois bem.....

Mas a vida tem dessas coisas: às vezes, o baque é grande, colossal, quando há mistura de ‘desejos’ e muito, muito dinheiro envolvido. E esse tipo de ‘reviravolta’, na vida, pode trazer consequências para a mente – e para a alma, a ponto de chafurdar os pensamentos, as ideias, os planos, que ficam ‘variados’ e também ‘invariados’, quando o sujeito, depois de saber que é ganhador de uma bolada crescida, se vê na contingência de organizar e/ou contar recursos que ele, mesmo em sonhos, nunca pensou de cuidar um dia, na vida. É o tal do ‘destroço!’, que chega de supetão.

Tem pessoas que o anúncio da premiação, por cautela, tem que chegar depois de ela ser convidada a sentar-se, para ‘evitar o pior’... É muito impacto para certas pessoas. E se a bolada é estupenda, pode-se correr o risco de se ter uma notícia boa, mas seguida de uma notícia ruim, porque a pessoa pode ter, inclusive, um ‘treco’, não resistindo à chegada do bom anúncio. Ganhar um prêmio da loteria, graúdo, como esse de R$ 300 milhões ou mais, é coisa que pode trazer consequências, pessoais e sociais, de monta, para anos ou mesmo para toda a vida.

Dinheiro sobrando, em mãos de quem não sabe lidar com seus efeitos, pode ser quase uma arma, literalmente...

Trago-lhes um exemplo ‘clássico’: um garimpeiro, de Serra Pelada, na década de 1980 (José Mariano dos Santos “o Índio”), com o dinheiro do ouro – mais de uma tonelada, chegou a comprar, de uma só vez, 13 carros. Noutra oportunidade, já no aeroporto de Belém/PA, decidiu fretar um Avião Boeing, desses “grandão”, de 156 assentos, para levá-lo ao Rio de Janeiro. O avião, acredite, se quiser!, chegou no destino apenas com o garimpeiro maluco e a tripulação da Cia aérea. “Índio”, tempos depois, confessaria numa entrevista (TV Record), que fizera tal maluquice por um, digamos, ‘acesso de zanga’, uma vez que a funcionária do guichê o destratou, por conta dos trajes, meio-sujos, que “Índio” usava à época. Ele chegou a dizer pra ela: “dona, eu não quero saber se tem passagem! Quero saber se tem avião pra fretar”, ameaçou o garimpeiro destrambelhado, ‘agitado’ pelo ‘fogo’ do ouro que possuía. Ainda bem que a ‘agonia’ e a ‘revolta’ do passageiro não foram ao ‘ponto máximo’, pois ele, já no ar, poderia ter ‘passado’ a ordem para explodir a aeronave, só para se ‘vingar’ da incauta moça, e ‘ficar na história’. Já pensou?

Outra história, também de garimpeiro proveniente da famosa jazida paraense, no mesmo período de ‘boom’, ilustra bem a capacidade que o dinheiro possui de modificar a personalidade de certas pessoas: um homem, depois de pegar em muito ouro, enfileirou notas de dinheiro, uma espécie de ‘rabo de cavalo’ edificado com cédulas novinhas em folha: ele saia andando pelas ruas de Curionópolis e dizendo que: “antigamente eu corria atrás do dinheiro; hoje, o dinheiro anda correndo atrás de mim”. Que explicação, viu!! Quanto desvario!!

Tem gente que, ao ganhar na loteria pensa logo em fazer coisas boas, como dar-se à filantropia, ajudar o próximo; mas há pessoas que – podem acreditar, pensam em dar uma surra naqueles que supunha ser seus inimigos, chegando a fazer até uma ‘lista de prioridades’. Quem tiver o azar de estar no começo da fila....

É por isso que eu estou, desde o início, alertando-o do perigo de se pegar muito dinheiro de uma só vez... Particularmente, sou contra; acho que, em qualquer das hipóteses, ninguém poderia levar mais do que R$ 20 milhões quando fosse sorteado em qualquer jogo da loteria, incluindo a “mega”. A ‘medida’, além de beneficiar mais pessoas, atuaria para conferir mais sossego e paz à sociedade, notadamente às famílias.

Eu tenho dito e ainda vou repetir a declaração, muitas vezes: tenho medo de ganhar na “mega”, ainda mais para botar a mão numa montanha de dinheiro, como essa da “virada”, de R$ 300 milhões.

Amigo, pelos cálculos preliminares da Caixa, os juros mensais dessa fortuna, chegam a atingir UM MILHÃO DE REAIS, ou seja, R$ 1 milhão todo final de mês. Ave Maria!! Deus me livre de enfrentar uma coisa dessas!! Depois, eu estou muito bem com os meus parentes e amigos, ninguém reclama muito de mim, e outra: toda semana eu falo com todos eles...

Eu tenho tanto medo de sair sorteado na “mega”, que, nesta segunda-feira – o último dia de jogar, em 2018 – eu vou passar longe da casa lotérica.

É verdade! Eu, honestamente, tenho medo de minha vida ficar pior! Por isso, evito arriscar um palpite. É aquela história: o seguro morreu de velho....

Agora, lembrei-me que minha mãe, Tereza, que está em Brasília, pediu-me, até pelo ‘amor de Deus’, para eu fazer uma ‘fezinha’, marcando um joguinho pra ela. Mas eu vou segurar minha conversa: não vou pisar na Caixa, nem que mamãe fique zangada, ou até mesmo intrigada comigo.

Afinal, eu não troco minha mãe por R$ 300 milhões, nem a pau... Eu, também, mesmo sendo advogado, não gostaria de fazer parte de uma futura ‘peleja’, daquelas que têm início, mas não têm fim.  

Às vezes, a gente é feliz e não sabe! Pense nisso, viu!!

Em todo caso, Boa Sorte a quem vai arriscar! E juízo também!

Nota: “Índio”, o garimpeiro maluco, chegou a ‘bamburrar’ em Serra Pelada, tirando de seu barranco/jazida, 1200 kg de ouro, o que equivale, hoje, a R$ 120 milhões. “Índio” gastou tudo que ganhou e hoje, acredite, se quiser, vive na miséria. Quando ele fretou o avião, pagou 4 kg de ouro, hoje, o equivalente a R$ 400 mil. Tem mais: ao desembarcar no Rio de Janeiro, “Índio” ficou hospedado no Hotel Copacabana, por um mês, com diária que, atualmente, tem o valor de R$ 7 mil. Sim, por dia, para você não se ‘confundir’.

2 comentários:

  1. Queria saber qual a probabilidade de se ficar pobre novamente. Sei que é quase "impossível" cometer essa proeza, mas de vez enquanto a gente encontra um ex-milionário em uma das filas que a vida reserva aos pobres.

    ResponderExcluir
  2. Amigo, assim como a gente sabe que uma pessoa pegou 1 milhão de reais e depois ficou multimilionário, aumentando sua riqueza, têm aqueles casos de outros que, imbecilmente, pegaram fortunas e acabaram com elas, torrando tudo. Serra Pelada está cheia de exemplos assim. Ou seja, dinheiro pode ser um perigo em mãos de certas pessoas, ou melhor, de certos malucos. kkkk

    ResponderExcluir