terça-feira, 8 de janeiro de 2019

NÓS ESTAMOS ACOSTUMADOS A ISSO, FLÁVIO DINO!


Do blog do Gilberto Léda.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), concedeu uma contundente entrevista à Folha de S. Paulo publicada ontem (7).
Na ocasião, fez diversas críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), a quem acusou, em dado momento, de ter um certo “amor pela guerra”.
Vejamos:
“Esses primeiros dias já mostram um traço muito preocupante do presidente e de seus ministros que é o de criar conflitos, como se fosse um amor pela guerra. Isso é ruim, pode criar uma espiral negativa que contamina o ambiente político. Por exemplo, o presidente atendeu ao pedido do Ceará de envio Força Nacional, mas fez criando conflito. Criticou o governador [Camilo Santana, do PT], dizendo que ele é radical. Achei muito estranho, esquisito. Ele trata o envio da Força Nacional como se fosse um favor. Não é um favor, é um dever, uma obrigação. São os estados que mantêm a Força Nacional”.
Flávio Dino reclama, com razão, de algo a que nós, maranhenses, já nos acostumamos: um governante que parece não sair das redes sociais; que bate boca com adversários o tempo inteiro no Twitter; que debocha da oposição; esculhamba os contrários; que nunca admite uma crítica, porque está sempre certo – e ai de quem discordar.
Mas Flávio Dino tem razão…
A eleição já passou. Bolsonaro venceu porque o eleitor lhe quis presidente para governar. Não para manter por quatro anos o clima de eleição, tão polarizado, que vimos em 2018.
Flávio Dino sente na pele, agora, com uma semana de governo Bolsonaro, o que os maranhenses sentem há quatro anos e uma semana.
Que essa dura crítica do governador maranhense ao presidente do Brasil – uma reflexão razoável, repise-se – sirva também de autorreflexão.
Que o comunista entenda que se é ruim ter um presidente que estimula esse clima de beligerância, mais ainda é ter um presidente e um governador que assim agem.
Os maranhenses já estão acostumados, é verdade. Porque a gente se acostuma a tudo, diria João Ubaldo Ribeiro.
Mas se for possível mudar para melhor, ninguém vai reclamar.
Pense nisso, Flávio Dino.


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